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Conheça nossa históriaEm 1578, o jovem rei Dom Sebastião I marchou em direção ao atual Marrocos em uma operação militar. A campanha foi um fracasso completo: o exército português sofreu uma dura derrota, o rei jamais regressou a Lisboa e Portugal mergulhou em uma grave crise sucessória. O auge desse processo aconteceu quando Filipe II, rei da Espanha, assumiu também o trono português, dando início à União Ibérica. Como o corpo de Dom Sebastião jamais foi encontrado, em meio a uma população carente e desalentada, criou-se o mito do sebastianismo: a crença de que, em algum momento, o rei retornaria, retomaria o trono que era seu por direito e, nesse processo, devolveria a antiga glória a Portugal. A lenda persistiu ao longo dos séculos. No entanto, o rei jamais voltou. Há quem acredite que, ainda hoje, em 2026, Dom Sebastião retornará a Portugal… Todo esse apanhado histórico serve de base de comparação para entender uma espécie de sebastianismo moderno no mercado futuro do boi gordo. Nesse caso, temos um único protagonista por trás de imensos quadros de volatilidade e de movimentos mais agressivos do que o habitual: a China. No ano passado, antes da imposição oficial da medida de salvaguarda, o mercado especulou negativamente em diversas oportunidades. Mesmo contrariando os fundamentos, o mercado do boi gordo travou diante da expectativa pelo anúncio. Neste ano, com a medida em vigor, o contexto é diferente. Primeiro, o Brasil tentou, de forma infrutífera, inúmeras negociações com os chineses pela flexibilização da medida, buscando acessar as cotas de outros países, possibilidade prontamente rechaçada pelas autoridades alfandegárias chinesas. A especulação do momento aponta para uma retomada precoce das exportações destinadas à China, com importadores chineses preocupados em garantir uma fatia maior das cotas de 2027 e estudando a utilização de rotas marítimas mais extensas, nas quais o produto demoraria mais de 100 dias para chegar aos terminais portuários chineses. No último dia 7, o rumor da semana foi de que exportadores brasileiros voltaram a procurar importadores chineses e estudam novas negociações, mais uma vez explorando rotas mais extensas. O que estaria travando a concretização desses negócios seria a divergência de preços: importadores tentam adquirir produto próximo de US$ 6 mil por tonelada, enquanto exportadores brasileiros buscam negociações a partir de US$ 7 mil por tonelada. Em 2026, as especulações envolvendo a China normalmente se traduzem em forte elevação do mercado futuro do boi gordo. No exemplo recém-citado, os preços em bolsa superam, e muito, as indicações do mercado físico. De acordo com o último Indicador de Preços de Safras & Mercado, o preço médio em São Paulo atingiu R$ 348,75/@ no último dia 8 de setembro, enquanto o vencimento setembro trabalha acima de R$ 360/@. A simples especulação de uma retomada chinesa às compras é justificativa suficiente para um descolamento tão importante dos preços? Em uma leitura inicial, não. Haverá necessidade de correção desse movimento: ou o mercado futuro buscará alinhamento em direção ao físico, ou o mercado físico avançará em direção aos níveis observados no futuro. As condições atuais de mercado, contudo, não apontam para uma convergência imediata pelo avanço mais intenso do físico. A alta das cotações até aconteceu no mercado físico, mas não na mesma proporção observada no mercado futuro. O pecuarista, extasiado com o movimento, começa a enxergar uma arroba do boi gordo trabalhando a R$ 400. No entanto, será que essa euforia é benéfica? O momento é bastante oportuno para pecuaristas mais disciplinados. O atual nível de preços em bolsa oferece boa perspectiva de proteção. Nesse caso, utilizar as ferramentas disponíveis no mercado financeiro para garantir o resultado da operação parece uma estratégia prudente. A euforia pode, em muitas oportunidades, travar a tomada de decisão diante da expectativa de altas contínuas. O problema está justamente no dinamismo do mercado, que pode exigir outro tipo de estratégia. Em um ambiente tão sensível ao noticiário, no qual a geopolítica se tornou variável-chave para interpretar os movimentos ao longo do ano, qualquer fundamento novo pode fazer com que toda essa expectativa não se concretize. Já diria o antigo ditado: mais vale um pássaro na mão do que dois voando. É exatamente nesse sentido que o hedge precisa entrar de maneira mais consistente na realidade da pecuária de corte brasileira. O pecuarista precisa, portanto, usar a euforia a seu favor. Os vencimentos novembro e dezembro já operam acima de R$ 380/@, enquanto outubro trabalha firme acima de R$ 375/@. Esse nível de preços oferece boa perspectiva de margem em um ano no qual os custos de reposição e de dieta apresentam crescimento. O gráfico contido neste artigo exprime muito bem a diferença entre o mercado físico e o mercado futuro. A margem para operar se mostra cada vez mais interessante. Resta saber se o pecuarista brasileiro vai aproveitar a oportunidade ou se seguirá aguardando o retorno de Dom Sebastião. *Fernando Henrique Iglesias é coordenador do departamento de Análise de Safras & Mercado , com especialidade no setor de carnes (boi, frango e suíno) O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação. 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A Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA) e a Texto Comunicação anunciam o lançamento do Anuário ASBIA 2026, relatório completo do mercado de inseminação artificial, com destaque para a publicação, na íntegra, do INDEX ASBIA 2025.

A avaliação genômica vem transformando o melhoramento genético nos rebanhos em todo o Brasil. Com a análise do DNA, podemos prever características genéticas fundamentais para a seleção dos animais jovens e melhoradores. Em mais de duas décadas de trabalho na área, acompanho de perto o crescimento da tecnologia no país, especialmente nas raças leiteiras. Neste artigo, conto um pouco das vantagens da técnica em quatro pontos principais: redução de tempo, economia nos custos, maior precisão e ganhos reais em produtividade.