A correta identificação dos indivíduos geneticamente superiores para características de importância econômica é decisiva para o sucesso de um programa de melhoramento genético. Não por acaso, os métodos usados na identificação desses indivíduos têm evoluído desde a domesticação dos bovinos, sendo alvo de importante parcela de pesquisas em todo o mundo. Partindo da simples avaliação visual, chegou-se às atuais avaliações genéticas nas quais, por meio de complexos modelos genético-estatísticos, são combinados dados fenotípicos e genealógicos, permitindo a predição do valor genético de cada indivíduo para as diversas características de interesse econômico. Atualmente, esses valores são disponibilizados na forma de Diferença Esperada na Progênie (DEP), que é a metade do valor genético predito e representa o desvio esperado da média dos filhos de um dado indivíduo para uma determinada característica em relação à base genética da população avaliada. Quanto mais precisa for a DEP, maior será o progresso genético obtido ao se utilizar essas informações na seleção. Em outras palavras, quanto mais próximo for o valor predito em relação ao real (verdadeiro) mérito genético, maior o ganho alcançado. Além disso, quanto mais precoce for a obtenção das DEPs com elevada acurácia, mais rápido se dará o avanço genético de um rebanho/população por unidade de tempo, como resultado do uso mais intenso de animais jovens na reprodução. Nos últimos anos, com a rápida evolução e popularização das tecnologias da genética molecular, as quais permitem acessar e manipular o genoma, diversas abordagens para o uso desse conhecimento começaram a surgir no cenário do melhoramento genético, inclusive em gado de corte, com o objetivo de aumentar a acurácia das avaliações genéticas. Resultados em programas de melhoramento de gado de leite conduzidos na América do Norte e Europa mostraram que, se os dados genômicos forem utilizados de modo conjunto com os fenotípicos e genealógicos, os benefícios podem ser significativos também para o melhoramento genético de gado de corte. No entanto, essa nova personagem, a genômica, trouxe um vasto grupo de conceitos novos e diferentes para o cotidiano do melhorista/selecionador como, por exemplo, os de marcador molecular, de chip de SNP, de seleção genômica, entre outros. Tornar-se familiarizado com essas novidades é importante para quem quer trabalhar com melhoramento genético. Além disso, a maior dúvida e, provavelmente, a mais desafiante, é como o conhecimento do genoma pode ser aplicado de forma viável e eficaz no processo de melhoramento genético de gado de corte. Assim, esclarecer o significado de conceitos básicos da genômica no contexto do melhoramento genético, bem como apontar e comentar sobre as potencialidades e desafios de seu uso, será o objetivo daqui em diante.
MENEZES, Gilberto Romeiro de Oliveira et al. Genômica aplicada ao melhoramento genético de gado de corte. In: ROSA, Antonio do Nascimento; MARTINS, Elias Nunes; MENEZES, Gilberto Romeiro de Oliveira; SILVA, Luiz Otávio Campos da (ed.). Melhoramento genético aplicado em gado de corte: Programa Geneplus-Embrapa. Brasília, DF: Embrapa; Campo Grande, MS: Embrapa Gado de Corte, 2013. cap. 17, p. 213-225. Disponível em: embrapa Acesso em: 12 abr. 2026.
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